"A felicidade do homem na Terra é sempre - e será sempre - relativa, sempre muito relativa. Tem altos e baixos. O homem é capaz de se superar a si próprio - acredito - mas a si próprio individualmente. Porque com o sofrimento, com um acto qualquer, ele descobre-se, no fundo, outro. Porque morreu e renasceu um homem novo".
O meu cinema, o cinema que procuro ao contar uma história não é propriamente o contar da história, mas é a reflexão da história que conto, que é uma atitude diferente, obriga o espectador a usar mais a cabeça do que os olhos.
Faço um cinema de
resistência, porque há esse preconceito de que o cinema é movimento e
que acaba a debandar os públicos do princípio até o fim. Faço um cinema
de resistência, porque o cinema abusa em excesso da violência pela
violência, do sexo pelo sexo e isso não leva a nada, só estimula a um
tipo de desumanização. Quer dizer, matar um robô, um boneco ou um homem
é igual, é uma figura que cai para o lado. E não é: o homem é diferente
de todo o resto e pertence a um grupo que é o da humanidade, à qual nós
devemos o maior respeito e o esforço maior que poderíamos fazer para
defender e não para atacar.
Manoel de Oliveira
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